A quermesse, o velório e eu

Eu parei para olhar aquilo tudo e para pensar naquilo tudo.

De um lado, não muito perto, as pessoas sorriam, conversavam alegremente, marcavam suas cartelas ao comando da voz do microfone, brincavam de pagar para comer comida gostosa. Música alegre tocava nos intervalos.

Do outro, o tímido cochicho dos poucos que se importavam, da minoria, para falar a verdade.

Deste lado da avenida, eu, aparentemente em silêncio para quem me visse, em contenda comigo mesmo, sem saber a qual dar mais atenção; se à quermesse ou se ao velório.

Chegaria uma hora em que os dois se calariam, e todo mundo iria para casa e esperar o dia seguinte.

Da quermesse restariam mesas vazias e desordenadas. Do velório, cadeiras desocupadas, portas trancadas, tudo enjeitado até a chegada do próximo ocupante temporário.

Liguei o carro e vim embora pensando nas quermesses e velórios que perambulam um ao lado da porta do outro.

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