Aqui se come, aqui se paga. Viu?

Ao cruzar a avenida, em rumo do estacionamento, comecei a fuçar os bolsos à procura do papelzinho que eles dão com a placa e nome do carro. Achei um cheio de quadradinhos em colunas com algumas marcações. Não dei bola e voltei a guardá-lo. O do carro estava no bolso da frente.

O dono do estacionamento, um senhor de aproximadamente sessenta anos, foi ele que me sugeriu onde almoçar, me perguntou, antes de tudo, se eu tinha gostado do restaurante. “Muito! Comida caseira gostosa. Muito bom mesmo”, eu disse. Neste momento, enquanto revisitava mentalmente o lugar onde comi, talvez para poder lembrar-me de mais detalhes e elogiar mais, senti um frio na barriga. A cara de satisfação do homem murchou junto com a minha, e eu disse, quase gritando: “Vixe! Eu me esqueci de pagar o almoço.” Saí correndo de volta para o restaurante. “Ah!”, comecei a pensar enquanto aligeirava o passo, “o papelzinho com os quadradinhos é a bendita comanda”. Andei mais rápido ainda; vai que o povo já estava à procura de um branquelo que saiu, pensando eles, sorrateiramente: “Oi, vocês viram um rapaz de bermuda jeans e camiseta passando por aqui? Aonde ele foi?” Já pensou? Eu já! Eu tava pensando nisto naquele exato momento, e três ordinários quarteirões pareciam três miseráveis quilômetros, naquele calor a que eu tenho pavor.

Finalmente cheguei. Havia três mulheres, ou seja, SEIS olhos para cuidar da saída, atrás de um balcão, e riam, e falavam, e nada mais, rs; nem sequer prestaram atenção que eu saí senza pagare niente, e tchau.

– Gente! É Aqui que se paga? –  As três olharam para mim, e foi uníssono: “É.”

– Vocês não me viram sair sem pagar?

– Não.

– Desculpem-me. Eu tava distraído.

– Sem problemas.

Na volta ao estacionamento, concluí que minha distração se deu por causa de estar escutando a conversa das garçonetes. Falavam de pagode, que tal grupo se apresentaria tal dia na cidade, e uma delas, parecendo querer bancar a sofisticada, rsrs, juro que foi em voz quase alta para que todo mundo ouvisse, seu tom denunciava a falsa sofisticação, eu garanto, rs, disse: “Credo! Nem de pagode eu gosto.” Eu, na hora, larguei o garfo e olhei para trás para ver a cara dela. E pensei: “Mentirosa.”

Em vez de doze reais pelo estacionamento, o dono, que me falou que o restaurante era da família dele, me deu um desconto gentil. Paguei só cinco. E eu “veio” embora. Entendi por que ele recomendou rsrs. 😀

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5 Comments

  1. Hahahahaha… Você é incrível!
    Ainda hás de ser um cronista famoso, e o que é melhor, com histórias vividas por você mesmo!
    Ainda bem que tenho você, para fazer eu dar boas gargalhadas!
    Te adoro!

    Curtido por 1 pessoa

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