Mais uma história de distração

Um dia, ouvi um barulhinho de chaves naquele compartimento da porta do carro, aquele em que a gente põe de um tudo. Não dei muita bola na hora, mas no fundo, aquele sonzinho continuou a tlim-tlim no meu ouvido por uns dois dias.

Quando resolvi fuçar para descobrir o que era, vi que tinha um molho lá jogado. Ué, que chaves são estas? – eu me perguntei. Eram várias, e não conhecia nenhuma delas. Então, não eram minhas, uai!

Dias antes, eu tinha levado o carro à oficina. Então, fui à bendita oficina e perguntei aos vários funcionários se aquelas chaves pertenciam a algum deles. Todos disseram que não.

Lembrei-me que tinha mandado trocar o óleo do carro em um posto de gasolina também. Mas o posto era em outra cidade, em que eu dava aulas. Na semana seguinte, ao sair da escola, passei no posto. Novamente, não eram de ninguém dali. Eu já estava ficando “encafifado”.

Lembro-me que saí perguntando às pessoas se elas tinham perdido chaves. E ninguém tinha nada a ver com elas! Então, eu as guardei em algum lugar em casa. Não tava a fim de andar com elas no carro fazendo aquele tlim-tlim irritante.

Depois de aproximadamente quarenta e cinco dias, eu já nem me lembrava delas, a secretária da escola veio me dizer que tinha uma ligação para mim. Interrompeu a minha aula para me dizer isto. Fui atender.

– Alô.

– É o Édi? – era uma voz bem grave e desconhecida.

– É. Quem é?

– Sou o Fulano. (Não vou falar o nome da pessoa aqui porque muita gente conhece, e ele já faleceu)

Achei estranho o Fulano me ligar. O que ele quer comigo? – pensei. Nem sabia que ele sabia meu nome!

– Por acaso, você encontrou algumas chaves no seu carro há uns dias?

– Sim. Encontrei.

– Ô, rapaz! Que alívio! Eu já tava louco aqui tentando adivinhar onde eu tinha esquecido elas. Você não tem ideia – Ah, eu tenho sim. Porque fiquei quase louco querendo saber quem era o ordinário dono delas – eu pensei na hora.

Ele me perguntou se eu tinha guardado elas. Resolvi brincar com ele, dar um sustinho nele e disse que tinha jogado elas no rio Tietê ao passar pela ponte. O homem entrou em pânico nesta hora. Quando vi que ele tava realmente desesperado, falei: Tô brincando. Eu guardei elas sim. Depois do meio-dia entrego a você.

– Mas me diga uma coisa, Fulano! – já quis saber – como é que estas chaves vieram parar dentro do meu carro?

– Uai, seu carro é do mesmo modelo do meu e da mesma cor. Ele tava parado na frente da oficina, e eu entrei, a chave tava no contato, dei partida e fui pra casa. No caminho, eu vi que tinha alguma coisa de diferente. Parei, desci e olhei bem para ele. Vi que não era o meu. Daí, eu voltei, pus seu carro no mesmo lugar, peguei o meu e vim embora. E, claro, esqueci as chaves lá dentro.

– Nossa!

– Pois é. E depois que desconfiei que as chaves estavam nele, eu tive que descobrir de quem era o carro também. Foi um trabalhão, viu?

Bom, esta história tem um final feliz. Porém, fiquei pensando, eu jamais teria descoberto que alguém pegou meu carro naquele dia, deu uma volta e trouxe de volta. Nunca mais deixei a chave no contato também!

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