Eu

Eu durmo com o celular ao meu lado, mas odeio quando toca, me acordando. Por isso, não atendo. E se o fixo tocar, quase sempre não vou atender. Aliás, preciso trocar o aparelho porque o toque dele é extremamente irritante, o que me faz deixá-lo desligado da tomada a maior parte do tempo. E quando vou a um lugar, ou, raramente, à casa de alguém, e o telefone tem o mesmo toque, ainda assim, me irrita.

Não sou apaixonado por sorvetes, mas, de vez em quando, gosto de tomar. Só que detesto ir a sorveterias e só vou quando não tem outro jeito. Elas quase sempre têm muita gente. E por falar em muita gente, odeio ir a cinemas (a última vez foi há mais de 25 anos), apesar de adorar assistir a filmes, coisa que me faz ser assíduo à locadora, só para ver em casa, e normalmente sozinho, e que, para mim, é muito melhor do que me reunir com um monte de gente desconhecida, num lugar escuro, sem poder pausar o filme se precisar ir ao toalete. Mas você pode ir com alguém – poderiam me dizer. Mesmo assim, estaríamos no que acabo de dizer. Isto já me rendeu o adjetivo “misantropo”. Não me incomodo.

Eu não entendo a loucura que muita gente tem por chocolate. Eu como, principalmente se houver amendoim no meio, mas, acidentalmente, passo dias, semanas ou meses sem botar a mão, sem sequer me lembrar. Aliás, não existe comida alguma que tenha conseguido me fazer, por ela, ter fixação até hoje. Os que me têm no Facebook terão notado que rara e esporadicamente posto fotos de comidas.

Eu me irrito com qualquer coisa (qualquer coisa mesmo!), mesmo que, mais tarde, me arrependa e me retrate, me desdiga. Mas me irrito. Com pessoas então… Tive um colega inglês que me chamava de “edgy”, que adorava o trocadilho, talvez só para me deixar mais “edgy”! Se sim ou não, conseguia, e eu respondia: “Fuck off, Anthony!”

Eu detesto telenovelas. Não vou, aqui, expressar minha opinião sobre elas nem sobre quem as vê com assiduidade, e por causa disto detesto a Rede Globo, mas vejo Jô Soares quase todas as noites – o motivo de não ver de vez em quando é esquecimento ou se vejo, na chamada, que os entrevistados não valem a pena, mudo de canal ou desligo.

Mudo de decisões em menos de cinco minutos, e normalmente espero quinze para decidir-me se vale o esforço continuar conversando com alguém que tô paquerando. Esses quinze minutos vão me dizer se deve ser só “amizade”, se deve ser só sexo, se só “ficar”. São quinze infalíveis minutos. E eu, além disto, perco, sem esforço exagerado, o interesse rapidamente após ter experimentado. Ao longo dos meus quarenta e tantos anos, poucas vezes me impressionei (passionalmente) por alguém. Sou estranho, e cético. E acrescento, (baseando-me nas pouquíssimas vezes em que me impressionaram): não luto, não perco a compostura, nem deixo a camisa suar por causa de querer que alguém continue comigo, ao meu lado. Penso que ter de lutar por alguém é burrice e falta de ter compreendido que este alguém não quer ficar.

Sou capaz de viajar dezenas de quilômetros para chegar ao destino, decidir-me que é horrível, e logo em seguida vir embora, abandonando aqueles com quem fui, mesmo que tenham gostado e queiram ficar. Sem grilos. Talvez na volta, haja algum outro lugar que me faça querer ficar.

Eu sou uma pessoa que aconselharia a você, se precisar, e a quem se interessar, que jogue xadrez apenas com quem sabe mais, senão você não vai progredir. E vai correr o risco de adquirir vícios horrorosos. Isto vale para falar inglês também. A não ser que a outra pessoa esteja aprendendo com você, e tomara que você fale bem. Se não, quem tá aprendendo com você vai se ferrar, e falar feio igual a você. É a mesma coisa que encostar-se em tronco podre. Ele quebra e lhe derruba. rs

Todos nós temos nossas idiossincrasias. Mas as minhas … as minhas não me impedem de ser genuinamente apaixonado pelos meus poucos amigos e minha querida mãe.

Thanks for reading my “baboseiras”. 😀

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3 Comments

  1. Fiz um comentário legal no FB, mas vou fazer outro aqui, mais ou menos. Concordo com vc em muitas coisas e neste post, concordo com o gosto de não ir a salas de cinema, Para mim o defeito delas é o ar frio demais e tem outro: gente mal-educada, que não sabe se portar. Chocolates, também, não são a minha praia e adoro o Crocante, da Garoto, justo pq tem amendoim no meio. Sobre gente, adoro interagir, me comunico bem, me dou, acredito demais ou olho e de cara descarto…rs
    Gostei da dica do xadrez. Não gosto, nunca entendi, não me apetece aprender, não sou boa estrategista.
    Olha, daria outro post, e outro, e outro, falar de você,
    Beijo, Édi.

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  2. Olha Édi, que post legal, adorei. Temos algumas semelhanças: também não gosto e não costumo ir ao cinema, faz anos, mas vivo indo nos shows das bandas que gosto. Adoro chocolate amargo, contudo só me dou o direito de saborear essa delícia, no Natal, pois minha alimentação é restritíssima! Jogo xadrez desde doze anos, adoro, já joguei até por correspondência, (antes do computador), é, sou das antigas! Também mudo de decisões rapidamente; não durmo com o celular ligado, Deus me livre, e gosto de sorvete, mas não sou apaixonada e se fosse, azar o meu, sorvete não está no rol dos alimentos permitidos. Beijos.

    Curtido por 1 pessoa

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