O padeiro da minha rua

Todas as madrugadas, por volta das quatro, ouço a buzina do padeiro. Às vezes, bem longe; às vezes, bem perto. Mas em nenhuma delas, perto ou longe, tenho certeza se ele já passou ou se ainda vai passar. De vez em quando, corro ao portão e vejo que ele está lá embaixo na rua. Desisto. Não vou sair correndo feito um desequilibrado: “Padeiro, padeiro, espera aí.” E de vez em quando, hoje, por exemplo, acerto. Corri, e ele estava justamente passando na frente de casa. Dei um assovio. Ele não ouviu. Dei outro mais forte. Ele ouviu e parou. Fiz o três com os dedos, ele me perguntou, em sua simplicidade, um senhor de aproximadamente cinquenta anos, em sua capa de chuva, porque hoje está chuviscando:

– Três pão?

– Isso. – respondi, voltei correndo para dentro para pegar o dinheiro porque dei-me conta de que o bolso estava vazio.

Quando voltei, ele estava à beira do portão, com a sacola pequena e os três pães dentro, esperando-me, com indubitável prontidão.

– Obrigado. – disse a ele.

– De nada. – respondeu.

Essa prontidão, visível prazer pelo que faz, óbvia satisfação por poder servir, me chamam a atenção. Esse ânimo para descer a rua empurrando seu carrinho é de levar-me à admiração.

Querido senhor padeiro cujo nome não sei, passe sempre com sua buzina e seus pães!

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