Para Sempre Alice – Still Alice

Ontem, eu assisti ao filme Para Sempre Alice. Resolvi pegar, e postar, a sinopse e o discurso que ela deu, no original, e traduzir.

Alice Howland is a renowned linguistics professor happily married with three grown children. All that begins to change when she strangely starts to forget words and then more. When her doctor diagnoses her with Early-onset Alzheimer’s Disease, Alice and her family’s lives face a harrowing challenge as this terminal degenerative neurological ailment slowly progresses to an inevitable conclusion they all dread. Along the way, Alice struggles to not only to fight the inner decay, but to make the most of her remaining time to find the love and peace to make simply living worthwhile.

Alice Howland é uma professora universitária renomada, tem três filhos crescidos e um casamento feliz. Tudo começa a mudar quando ela estranhamente começa a esquecer palavras e mais outras coisas. Quando seu médico lhe dá o diagnóstico de Mal de Alzheimer precoce, a sua vida e a de sua família ficam diante de um desafio lancinante conforme esta doença neurológica, terminal, degenerativa se evolui lentamente em rumo de uma conclusão a que todos eles temem. Alice, o tempo todo, luta não só para combater seu decaimento interno, mas, também, para aproveitar o máximo de seu tempo remanescente a fim de encontrar amor e paz, para que viver tenha simplesmente valido a pena.

Em um discurso sobre sua condição, ela diz o seguinte:

“Good morning. It’s an honor to be here. The poet Elizabeth Bishop once wrote: ‘the Art of Losing isn’t hard to master: so many things seem filled with the intent to be lost that their loss is no disaster.’ I’m not a poet, I am a person living with Early Onset Alzheimer’s, and as that person I find myself learning the art of losing every day. Losing my bearings, losing objects, losing sleep, but mostly losing memories…

Bom dia. É uma honra estar aqui. A poeta Elizabeth Bishop disse uma vez: “Não é difícil aprender a Arte de Perder. Tantas coisas parecem ter vontade de se perderem que perdê-las não é um desastre.” Não sou poeta. Sou alguém com início precoce de Alzheimer, e em sendo assim, vejo-me aprendendo a arte da perda a cada dia, de não saber onde estou, de perder objetos, de perder sono, principalmente minhas lembranças…

All my life I’ve accumulated memories – they’ve become, in a way, my most precious possessions. The night I met my husband, the first time I held my textbook in my hands. Having children, making friends, traveling the world. Everything I accumulated in life, everything I’ve worked so hard for – now all that is being ripped away.

Acumulei lembranças ao longo de toda a minha vida – elas se tornaram, de certa forma, minhas posses mais preciosas. A noite em que conheci meu marido, a primeira vez em que segurei meu livro didático. Ter filhos, fazer amizades, viajar pelo mundo. Tudo o que acumulei na vida, tudo por que arduamente trabalhei, tudo está sendo tirado de mim.

As you can imagine, or as you know, this is hell. But it gets worse. Who can take us seriously when we are so far from who we once were? Our strange behavior and fumbled sentences change other’s perception of us and our perception of ourselves. We become ridiculous, incapable, comic.

Como podem imaginar, ou como sabem, isso é infernal. Mas ficará pior. Quem pode nos levar a sério quando estamos distantes de quem uma vez fomos? Nosso estranho comportamento e frases mal elaboradas mudam a percepção dos outros sobre nós e a de nós mesmos. Tornamo-nos ridículos, inaptos, cômicos.

But this is not who we are, this is our disease. And like any disease it has a cause, it has a progression, and it could have a cure. My greatest wish is that my children, our children – the next generation – do not have to face what I am facing. But for the time being, I’m still alive. I know I’m alive. I have people I love dearly. I have things I want to do with my life. I rail against myself for not being able to remember things – but I still have moments in the day of pure happiness and joy.

Mas isso não é quem somos. Isso é a nossa doença. E, como qualquer doença, tem uma causa, uma progressão. E poderia ter uma cura. Minha maior vontade é que meus filhos, nossos filhos, a próxima geração, não tenham de enfrentar o que estou enfrentando. Mas por enquanto, estou viva. Eu sei que estou viva. Tenho pessoas a quem amo tanto. Há coisas que quero fazer na minha vida. Eu me critico por não conseguir me lembrar de coisas, mas ainda tenho momentos em dias de pura felicidade e satisfação.  

And please do not think that I am suffering. I am not suffering. I am struggling. Struggling to be a part of things, to stay connected to who I was once. So, ‘live in the moment’, I tell myself. It’s really all I can do, live in the moment. And not beat myself up too much… and not beat myself up too much for mastering the art of losing. One thing I will try to hold on to, though, is the memory of speaking here today. It will go, I know it will. It may be gone by tomorrow. But it means so much to be talking here today, like my old ambitious self who was so fascinated by communication. Thank you for this opportunity. It means the world to me. Thank you.

E, por favor, não pensem que estou sofrendo. Não estou. Estou lutando. Lutando para fazer parte de coisas, para permanecer conectada a quem uma vez fui. Então, “viva o momento”, digo a mim mesma. É tudo o que posso fazer: viver o momento. E não me abater demais… e não me abater demais por dominar a arte de perder. Uma coisa que, no entanto, vou procurar manter, é a lembrança de estar falando aqui hoje – ela se irá, eu sei que sim. Talvez amanhã. Mas significa muito para mim, estar aqui, hoje, falando, do jeito do meu eu ambicioso que era tão fascinado por comunicar-se. Agradeço por esta oportunidade. Significa muito para mim. Obrigada.”

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3 Comments

  1. Ainda não assisti ao filme, só leio e ouço boas referências. Nem imagino o que pode ser isso, ainda mais em idade tão jovem, como a dela. Tomara que seja mesmo verdade que a cura do mal já está acontecendo.
    Beijo, Ed.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Assisti a este filme! É impressionante como a personagem reage e a lição de vida que ela nos dá! É triste, mas é um daqueles filmes que nos fazem sentir um respeito maior para com as vítimas desse mal que nos apavora a todos!

    Curtido por 1 pessoa

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