Quer comprar polpa de tamarindo?

Saí de carro.
Na rua, algumas pessoas distribuíam panfletos religiosos. Deram-me um.
Virei à esquina.
Ao portão de uma residência, enquanto aguardava ser atendido, um missionário júnior digitava ensandecidamente em seu celular. Falava com quem? Com os Céus, avisando que já estava na labuta do dia?
Cheguei ao meu destino.
Fila longa.
Todos conversavam.
Os assuntos eram vários: unhas encravadas, geleia de amora, horários de trabalho, a ordem de chegada de cada um – fila desorganizada -, etc.
Uma senhora, enquanto segurava seu boleto, aproveitava a ocasião para vender queijo fresco e polpa de tamarindo a todos que entravam no lugar. Inclusive a mim. (Água na boca, imaginando o azedo da fruta.)
– Não. Obrigado – era a resposta mais dada.
Em sua saia encompridada até os pés, seu chapéu de palha elegante – eu achei -, abas bem largas e camisa de mangas longas, com cara de quem lia Zibia e de ouvinte quase eclética, saiu do local dizendo “boa tarde a todos”, fina e sorridentemente cordial, articulada.
Na volta, antes de entrar no carro, a vi novamente fazendo propaganda de seu queijo e de sua massa de tamarindo a mais pessoas.
– Meu carro é um prata-dourado, ali na esquina da praça – disse a um senhor que se mostrou interessado.
E seguiu andando, a branca Clara Nunes, só que em seus tênis azuis.
No quarteirão da praça, vi o carro prateado-dourado. Placa de fora.
Muié arretada! 😊

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