Bzzzzzzzz

Eu aqui, lendo algumas coisas.
Na verdade, relendo o terceiro capítulo do novo livro. Terminei agora à noite e estava revendo, procurando detalhes, fuçando…
Ouvi um barulhinho. Bem fraquinho. Não soube dizer se vinha da cozinha ou da sala. Era como se fosse aquele barulho do acendedor do fogão, quando a gente aperta o botão por mais de três segundos, e a boca (do fogão) não acende.
Parava e começava. Parava e começava.
Vim à cama – olhos cansados – e deitei-me de bruços.
O barulhinho de novo.
– Você tá sozinho – pensei. – Não tem ninguém tentando acender o seu fogão – nesse momento pensando em espíritos, fantasmas… Consegue me imaginar indo à cozinha e dando-me de cara com uma mulher vestida de roupas longas e escuras, lenço bizarro na cabeça, unhas levemente longas e sujas, virando-se para mim e dizendo, com voz de outro mundo: – “Sente-se. Vou preparar um café para nós dois.”?
Sei que você não imaginou. Mas eu, sim, imaginei. Minha imaginação é mais “fértil” do que você pensa.
Procurei não dar bola. Mas o “zunido” insistia.
– Você é bobo? – perguntei-me. – É algum inseto preso em alguma sacola de plástico! – concluí com alívio.
E o “zunido” prosseguia.
Levantei-me, calcei os chinelos, peguei um dos meus tênis que estava aqui perto e fui à procura do negócio. Parei no corredor. Primeiro, precisava saber de onde vinha o ruído, exatamente.
– Hmmmm. Cozinha!
Enxergar não é mais meu forte, principalmente depois de algum tempo à tela do computador. Então, apoiei-me na audição, que, para o meu deleite, ainda é um dos meus mais eficazes sentidos. Acredite, pois já morei em um apartamento de onde vinham sons que “deduravam”, com exatidão,  o que as vizinhas faziam entre si. Sem detalhes do quê, por favor! 😂
Dei dois passos à frente. Havia sacolas de compras no chão e em uma das cadeiras. Pelo som, só podia ser, sim, um inseto preso em uma delas, que estavam todas vazias.
– Sacolas “esparramadas” pela cozinha? – você deve estar se perguntando.
– Sim. Sacolas e outras coisas também – respondo-lhe, sem medo de que conclua que sou desorganizado.
E o “zunido” lá, em algum lugar. Olhei, durante uma das silenciadas, para o lado esquerdo.
– Bzzzzzzzz – de repente veio da direita, levando-me a virar rapidamente.
Sabe quantas sacolas havia, contando a da cadeira e as do chão? Four! Isso mesmo, quatro! Não sabia em qual delas o bicho estava.
Então, comecei a dar pancadas com o tênis – freneticamente – em todas, parecendo-me com um baterista principiante e desafinado.
Parei.
– Devo ter matado o intruso já – concluí.
– Bzzzzzzzz – de novo.
Comecei a abrir e olhar, pronto para saltar pra trás (vai que…), uma por uma, como se estivesse tentando desarmar uma bomba.
Achei! Era uma mosca sofredora – e burra! – que acabou presa em uma delas.
Não. Não a matei. Não tive coragem, pois levei em consideração a expectativa de vida das moscas. Soltei-a da prisão perpétua.
E, pela janela, saiu voando, provavelmente aliviada, pensando que “dessa vez, foi por pouco”.
Fim.

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