O medo da solidão pode te fazer casar com o “diabo”.

Há pouco tempo, postei o título acima no meu Instagram, @pensar.e.escrever. Exatamente desse jeito, com diabo entre aspas.

Depois de poucos dias, percebi que alguém que sempre me tratou cordialmente, e vice-versa, passou a me tratar com indiferença e, quando eu puxava assunto por meio do WhatsApp, percebia deboche e até mesmo ira em suas quase monossilábicas falas (escritas). Fiquei a me perguntar se eu tinha feito, ou dito, algo desagradável, mas não conseguia me recordar de nada do tipo. Mas, mesmo assim, não desisti de investigar na minha memória algo que eu pudesse ter feito sem perceber. Quem nunca “ofendeu” sem querer? Quem nunca provocou um mal-entendido ingenuamente? Então…

Enquanto eu esperava o clique “ah! Então foi isso!”, fiquei a observar que o post – aceito e entendido pela maioria – estava recebendo uma grande audiência, comparada com as dos outros. Confesso que ri bastante ao notar que alguns leitores levaram a palavra diabo ao pé da letra, e houve até comentários com “sangue de Jesus”.

Até aí, eu ainda não tinha atentado a que a indiferente pessoa tinha ficado emburrada e irada – daqui a pouco você vai entender por que “ira” – comigo por causa da (bendita?) postagem.

— Olá, como vai? – mandei uma mensagem há algumas tardes.

— Olha – a resposta começou a vir minutos depois – eu gostaria que nós não mais tivéssemos contato um com o outro.

Rapidamente, fiquei preocupado. Eu poderia simplesmente responder “OK. Se você prefere assim, que assim seja.”, caso eu tivesse previsto o ultraje que viria em seguida. Mas minha curiosidade e óbvia falta de adivinhação aguçada pediram mais.

— Você poderia me dizer o que está acontecendo? Por que isso de não mais contato?

— Eu decidi que você tem problema de dupla personalidade.

— Eu? – escrevi, com várias interrogações e exclamações juntas.

— Exato. Você!

— O que eu fiz? – até encolhi os ombros, como se a pessoa pudesse me ver.

— Eu prefiro casar com o diabo do que ter qualquer tipo de vínculo com você – o clique veio finalmente.

Fiquei literalmente boquiaberto.

— Pera aí – interrompi, imaginando-me aos berros naquele momento – você está achando que estou conversando com você por meio da minha última postagem?

— E outra: uma hora você fala de amor, de paixão, de coisas lindas, e depois, você fala de diabo, de coisas esquisitas. Você é louco! – o ataque, por meio da última frase, se mostrou mais intenso. — Não converse mais comigo!

Respirei fundo, pus o celular sobre o sofá e fui à cozinha tomar água. Em seguida, percebi que uma espécie de temor – não! acho que foi pânico mesmo – começou a me rodear.

Resolvi não dizer mais nada à pessoa. Bem, ela já tinha me pedido que não lhe falasse mais, não é mesmo? Mas eu poderia ter insistido em, pelo menos, falar dos tons usados em minhas postagens, o porquê disso e daquilo, ou então sugerido que praticasse mais interpretação de textos, algo do tipo. Calei-me, porém.

E eu, aqui, embebedado pela situação…

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2 Comments

  1. Algumas mentes brasileiras (muitas) anda a caminhar em sentido contrário. Há um falso sentido de religiosidade, há uma vergonhosa bandeira a se levantar impedindo a capacidade de pensar, de amar o próximo, de progredir.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Só me resta rir. Algumas pessoas merecem pena, outras despreso. Essa pessoa merece uma boa e gostosa gargalhada…mas que falta do que fazer né?
    Liga não Ed, segue o baile…

    Curtido por 2 pessoas

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