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Depois da aula, já de volta para casa, liguei o rádio, e Nothing Compares to You começou: it’s been seven hours and fifteen days. E então meus pensamentos – ao contrário da letra, que reclama de abandono e solidão, contando as horas e os dias – começaram a passear pelos anos noventa com, deixe-me dizer deste jeito, apenas saudade. Faz muito mais do que sete horas e quinze dias que passei pela casa dos vinte, época em que a pele era macia e os hormônios pouca bola davam para as proibições, e muito nos impedia ao juízo.

Naqueles anos, a diversão começava na quinta-feira. Reuníamos os colegas e amigos para irmos a alguma danceteria de São Paulo – cada semana uma era escolhida; e tantas foram as vezes em que descemos, tarde da madrugada, a Rua da Consolação a pé, vindo de lá da região da Paulista, conversando e rindo. Quando chegávamos à Praça da República, os ônibus já estavam rodando. (A gente costumava dizer “funcionando”.)

Quando de quinta para sexta, nenhum de nós dava bola para que tivesse de trabalhar em pouquíssimas horas, podendo mal se deitar por um breve descanso. De sexta para sábado, ou de sábado para domingo, nossa!, aí que era uma festança mesmo! Porém, ó, em meio aos colegas – isso vai parecer ridículo, mas estou falando a verdade –, eu era o mais acanhado (eu pensei no adjetivo “contido” – acho que não serve). Eu nem sabia dançar, se você quiser saber! Eu nem me sentia à vontade no meio da multidão que pulava ao som das canções da época, Pet Shop Boys, Boy George, George Michael, Sinéad O’Connor – sim, faça as inferências que quiser a partir dos estilos citados! – e muitos mais… Mas eu queria estar lá com eles. Era divertido ver gente se divertindo. (Isso me lembrou da primeira vez em que notei alguém me olhando com cara de segundas intenções enquanto Domino Dancing fazia a mesa a que estava sentado tremer. Eu estava literalmente um “sitting duck” – expressão idiomática do inglês que corresponde aproximadamente a “presa fácil”. Quando a pessoa finalmente, depois de passos vagarosos – porém decididos –, como se fosse um felino na Savana Africana mirando para o queria comer naquela noite se acercou de mim e puxou assunto, eu, acanhado e taquicárdico, levantei-me da mesa, falei um seco “I’m afraid I don’t speak your language” com cara de quem estava dando a pior notícia do mundo e fui ao bar comprar um guaraná, que, lá dentro, custava uma fortuna. Foi a pior opção. A pessoa se encantou com meu ar falso de britânico e me “perseguiu” a noite toda, enquanto que meus amigos estavam suando na pista de dança. Para que tudo isso, se um simples “Não estou interessado” poderia ter resolvido tudo?! Bem, talvez eu esteja enganado…).

Quer continuar lendo? Eu contarei mais. Quer?

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