What a funny dream!

— Eu te espero na farmácia em frente à praça – uma moça com quem troquei pouquíssimas palavras há muito tempo me diz ao telefone.

— Ótimo. Estarei lá – reajo com satisfação, entusiasmado pela viagem que vamos fazer a São Paulo.

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Em nossos sonhos, quando estamos perto do momento em que estamos a ponto de conseguir algo superlegal, ou quando o monstro está prestes a nos agarrar, acordamos. É engraçado isso. (Em inglês – não tem nada a ver o que vou dizer, mas vou: “engraçado” é “funny”, e “funny” pode ser “estranho”. Então, se eu estivesse escrevendo este texto na língua de Elizabeth, esta última frase, antes do parêntese, ficaria apenas “This ou That is funny.”)

Já no lugar combinado, lembro que meu ferro de passar está emprestado à loja ao lado, saber por quê é uma curiosidade minha agora. (Quanta coisa faz tanto sentido em nossos sonhos!). Preciso alisar a camiseta que visto, afinal vou viajar! Vou à proprietária, peço o objeto por uns segundos, faço o que queria fazer, devolvo-o e volto à farmácia para continuar a espera. Pronto.

Segundos mais tarde, apalpo os bolsos e sinto a ausência do meu celular. Sou nomofóbico até em meus sonhos (não se preocupe, pois “nomofóbico” é uma palavra que foi recentemente criada na língua inglesa – um neologismo – que vem de “nomofobia”, traduzido de “nomophobia”, cruzamento de “no + mobile + phobia”, aquele medo de ficar sem telefone móvel.). Então, me ponho a correr com passos largos em busca do telefone. Parece que os sonhos, pelo menos os meus, adoram dificultar as coisas. Eu precisava estar a pé? Eu precisava ter deixado o celular em casa? Hein?

No meio do caminho, encontro uma barraquinha que vende “churrasco grego”, coisa que nunca comi na vida. E, sim, estou com fome. Peço um lanche ao atendente todo de branco, que me recebe sorridente. Dou a primeira mordida e o sabor é delicioso. Lembro que quase emiti um “hmmmm” de deleite. Do nada, o que está no recheio parece ser uma orelha. Só que sem uma parte, pois acabo de mastigá-la e engoli-la. Distancio o lanche dos olhos para poder enxergar melhor. A orelha me vem familiar.

— Por acaso isso é orelha de porco?

— Sim, é.

O lanche cai da minha mão, curvo o corpo e começo a vomitar orelha triturada descontroladamente. Depois de várias contrações, vejo que o que está no chão é mais do que uma orelha. Não, não são duas, é o porco inteiro. Sinto ameaça de desmaio, e quatro mãos me seguram.

Acordo sem poder viajar. Levanto-me da cama e faço um café bem forte.

What a funny dream!

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