Era domingo

Quando pisei a calçada e achei seu rosto em meio aos tantos pedestres, ele já estava me olhando, e com uma agradável ameaça de sorriso em seus lindos lábios. Meu coração começou a bater tão forte e rápido, que meu corpo parecia se estremecer a cada pulsada. O homem grisalho não estava. Continuei a caminhar e, no momento em que estava passando por ele e sua banca de quadros, sem saber exatamente o que fazer, abaixei o olhar e, por causa disso, alguém e eu nos esbarramos. Antes de abrir a boca para me desculpar, alguém disse “Pardon”. Abanei a mão, indicando que estava tudo bem.

Depois de dois ou três passos à frente, ouvi uma voz meio grave:

— Olá.

Essa é a voz dele? É comigo que ele está falando? Parei, congelado, e olhei rapidamente para trás. Estava segurando um quadro pequeno com as duas mãos, e, na cara dele, a incerteza do que estava fazendo. Procurei esboçar uma feição jovial e dei os dois ou três passos de volta. Estendi a mão e, sem conseguir evitar que minha voz saísse tremelicante, perguntei:

— Como vai?

Anúncios

Deixe um comentário.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s