Sinhá. Nossa Madrinha.

Conheci muitas pessoas generosas ao longo da minha vida. Uma delas é a Sinhá, que, na verdade, era mais comumente chamada de Madrinha. Com o tempo, passei a chamá-la assim também.
Eu a via nas férias, ou nos feriados prolongados, quando vinha de São Paulo, porque ia, toda vez em que vinha, visitá-la. Se fosse durante o dia, Madrinha jamais estava, mesmo com mais de seis décadas nas costas, parada em algum canto a contemplar o passar dos dias. Cozinhando, limpando o fogão, a pia, lavando a roupa da família… a quem era absoluta e prazerosamente servil. Se durante a noite, não muito tarde, ia para lá e para cá, preparando isso ou aquilo de comer, e lembro-me das raras vezes, o contrário da maior parte das pessoas nessa faixa de idade, em que a vi desfrutar da viciante distração da tevê.
Hoje, Madrinha não mais faz essas coisas todas, porque não mais anda. Não mais reconhece os seus familiares, não se lembra de nada mais, e seu único e inevitável canto é o leito que a sustenta acima do chão. Cansou-se. Teve a sorte de se cansar.
Felizmente, tem os seus de quem recebe o merecido cuidado.
Lembro-me nitidamente, como se tivesse sido ontem, do gostoso café fresquinho de Madrinha, do qual não mais podemos desfrutar, mas que ficará na minha lembrança enquanto a memória, a mim, permitir.
Boa noite.
Ah, e você? Conhece alguma Madrinha? Ou já conheceu?

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